Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008

An Deiner Seite - Cap 56

Meus Amores =')

É o último!!

 

Ai, nem sei que vos diga... Estou aqui completamente emocionada a olhar para o ecrã, com o ficheiro word da fic aberto, e ver ali a palavra «Fim» e está a emocionar-me tanto =') Eu sei, sou absolutamente patética. Mas esta foi a minha segunda fic, apesar de ter gostado muito de escrever a primeira, esta exigiu bem mais de mim, viveu na minha cabeça durante os ultimos tres meses... e existem personagens das quais vou ter saudades ^^ [ principalmente a Alie, a Emi, e dos restantes membros dos Wounded Dogs, porque os TH vão aparecer nas próximas fics... lol ]

 

Também foi com esta fic que comecei a ter mais leitores, todos vocês são fantásticos! Queria fazer uma listinha de nomes, mas a verdade é que são tantos que eu nem sei por onde começar x) Obrigado a todos, muitissimo obrigado! Adoro-vos!

 

Antes da fic ainda queria dizer uma coisinha. Se olharem para a vossa direita vão encontrar uma listinha das fics que já postei e das que vou postar... Não sei se seguirei essa ordem, mas é provavel que sim.

 

E agora não vos faço esperar mais,

cuidado porque este capitulo é o maior de sempre xD

ENJOY!

 

* * *

 

[ Emily ]

 
 
“Good morning, sunshine! It’s eight o’clock, the sun is long up, and there isn’t a cloud to be seen in the sky! So it’s going to be a bright sunny day all over old sweet California. Put your shorts and bikinis on, and run towards the closest beach, ‘cause today it’s also going to be the hottest days of the year. 
 
Go get your sunbath, surf some waves, roll down the gold sand and stay tuned in your favourite radio station: BestFM!”
 
Oh, não… Eu nem queria acreditar que eram já oito da manhã… Não, eu deitei-me tão tarde, merecia um descanso. Mas se há coisa que ultimamente não me dão é essa palavra maravilhosa de oito letras: descanso.
 
Tapei a cabeça com a minha almofada, e enrosquei-me bem nos meus lençóis, tudo na esperança de abafar a o som que saía do rádio, ou simplesmente ignorá-lo para voltar a adormecer… Na realidade, o que me apetecia fazer era dar um valente pontapé àquele rádio alarme, de onde neste momento saía a música «Feeling Good» dos Muse.
 
“Birds flying high,
You know how I feel.
Sun in the sky,
You know how I feel.
Reeds driftin' on by,
You know how I feel…

It's a new dawn!
It's a new day!
It's a new life,
For me!
And I'm feeling good!”
 
Não, eu não me estou a sentir bem! Por acaso até me tenho andado a sentir bastante mal. Concordo, é um novo dia, nesta nova vida… Mas porque é que depois de ter alcançado os meus sonhos, ainda me sentia tão vazia por dentro? A resposta era bastante simples, e resumia-se a um simples nome de apenas três letras: Tom. Era somente por não o ter a meu lado que me sentia incompleta.
 
Mas vocês devem estar apanhar completamente do ar, não é? Não se preocupem, eu explico.
 
Passaram-se três anos desde aquela dolorosa despedida… Três longos e penosos anos. Desde então, eu e o Tom falamos por telefone, ainda que poucas vezes por mês. Chegámos até a reencontrarmo-nos por breves momentos quando eles deram o seu segundo concerto em Portugal, mas não foi como da primeira vez. Eles descolaram de Lisboa apenas duas horas depois do final do concerto, e ninguém tira da minha cabeça, nem da da Alie que isso foi um plano orquestrado pelo Jost, só para nós não estarmos muito tempo com os rapazes. E a verdade é que resultou, eu e a Alie não estivemos com eles no backstage depois do concerto mais do que uma fugaz meia hora, eles tiveram de ir logo embora.
 
Como devem imaginar, não voltou a acontecer nada ente mim e o Tom, nem nos atrevemos a falar no assunto novamente. Talvez um dia as coisas melhorem.
 
A Alie e o Gustav? Esses já assumiram o namoro, e diga-se de passagem que ela já esteve mais vezes com ele. Nas suas férias ela já foi ter com ele à Alemanha, já que trabalho dela é mais flexível que o meu. E que eu, para além do meu trabalho, continuo com a banda. Sim, os Wounded Dogs continuam em força, e agora são conhecidos internacionalmente… Mas vamos com calma. Primeiro quero contar-vos como vim parar à Califórnia.
 
Bem, assim que acabei o meu curso de artes dramáticas, fui a várias audições, entre elas, uma para a Universal Pictures. Eles estavam à procura de uma rapariga com sotaque alemão para um filme de acção com o Samuel L. Jackson e o Andy Garcia… e adivinhem só, EU FUI A ESCOLHIDA! Esse foi o meu bilhete directo para os Estados Unidos da América, mais propriamente, para as terras de Hollywood.
 
Não comecem já a pensar que eu tenho uma mansão gigantesca em Beverly Hills, porque não tenho… Na verdade estou a quinze minutos de carro de mansões como essa. Não, moro num modesto T2, na Lexington Avenue, perto de Santa Mónica Boulevard. Até se consegue ver o famoso Hollywood Sign daqui… mas só da janela da casa de banho e se nos empoleirar-mos em cima da sanita, o que já não é nada mau.
 
Pensam que moro aqui sozinha? Nem pensar! Nunca me iria embora de Portugal sem a minha Alie. Dividimos este pequeno T2. Ela foi aceite como guionista estagiária, também na Universal Pictures, portanto pode dizer-se que somos colegas de trabalho.
 
O emprego dela vai de vento em popa. Seis meses depois dela ter começado o estágio, os produtores estavam tão satisfeitos com o seu trabalho que lhe ofereceram a assinatura de um contracto permanente, que ela aceitou de imediato, claro! Entretanto já pré-produziu três filmes, e pelo que eu pude espiar em casa, nas leituras de alguns guiões e ensaios, estão os três excelentes.
 
E o meu trabalho? Bem, o tal filme está gravado, e diga-se de passagem que as gravações correram lindamente. Estreará dentro de poucos meses, mas a imprensa já fala do filme. As criticas são óptimas, principalmente as que são feitas à minha prestação de estreante. Só para terem uma ideia, os produtores da Universal Pictures já me convidaram para um próximo filme, um dos que a Alie ajudou a pré-produzir, um thriller dramático onde o «meu par» será o Hayden Christensen.
 
Para além deste trabalho, tenho a banda! O meu irmão, o Patrick e o Jared acabaram por se mudar para aqui no ano passado, dividem um apartamento não muito longe do nosso, e arranjaram empregos modestos também aqui na zona. Com a vinda deles para cá, começámos a dar pequenos concertos em bares e pubs em Los Angeles, e pode dizer-se que as coisas estão a correr muitíssimo bem! Quando estive a gravar o filme demos muito poucos concertos, mas desde que terminei as gravações que quase todas as noites temos algo combinado… como aliás tivemos na noite anterior. Já começámos também a vender CD’s e a ganhar fãs por aqui. Quer-me parecer que temos uma hipótese de brilhar deste lado do mundo, como aliás brilhámos em Portugal no nosso último ano lá.
 
A única coisa que eu tenho de fazer é conciliar a música com o cinema… e por falar nisso, estou a atrasar-me para a reunião sobre o novo filme com os produtores. É melhor mesmo começar a levantar-me.
 
De contra vontade, arrastei o meu corpo fraco e sem reacção para fora da cama, sentindo a minha mente vazia e praticamente dormente. O rádio tocava agora uma música qualquer do 50 Cent, e eu não hesitei um segundo a desligá-lo. Caminhei então, numa marcha lenta e ensonada para fora do meu quarto, ainda de camisa de dormir, de pés descalços, e com o cabelo que devia estar tudo, menos penteado.
 
 Mal atravessei a ombreira da porta, quase fui atropelada por uma Alie cheia de pressa, e já pronta para sair de casa, “Bom dia, Alegria!” Cumprimentou-me ela com um sorriso de orelha a orelha, enquanto se esforçava por equilibrar uma pilha de folhas manuscritas, que eu percebi ser os seus estudos para guiões.
 
“Bom dia, minha linda!” Cumprimentei-a de volta, esforçando-me para retribuir o sorriso, “Já vais trabalhar?” Perguntei fazendo olhinhos de cachorro abandonado. Desde que nos tínhamos mudado para esta casa que raramente cumpríamos a nossa tradição diária de comer o pequeno-almoço juntas e à varanda da cozinha. Pode parecer parvo, mas eu sentia falta desse pedacinho de tempo que passávamos juntas logo de manhã.
 
“Desculpa princesa, não vai dar. Tenho de estar nos estúdios antes das nove.” Respondeu-me enquanto mastigava o que eu adivinhei ser uma bolacha. “E tu sabes bem que o bolevard a esta hora deve estar atulhado de transito… Nunca mais lá chego.”
 
“Ora bolas…” Lamentei acompanhando-a até à porta de casa. Pelo caminho a Alie conseguiu meter na boca mais uma bolacha sem deixar cair as tantas folhas que levava nos braços, e conseguiu ainda agarrar a chave do Rusty e meter no bolso de trás das calças. Claro que o Rusty veio connosco, nunca o deixaríamos para trás.
 
“Devo chegar a casa por volta das cinco, Emi…” Informou-me, fazendo uma pausa para mastigar a bolacha e a engolir, pausa essa que eu aproveitei para falar.
 
“Eu só tenho a reunião com os produtores às onze da manhã, mesmo que depois vamos almoçar todos juntos, chego a casa, mais tardar, por volta das quatro.” Estranhamente, e sem que eu pudesse evitar, a minha voz soou bem mais fraca e triste do que eu gostaria.   
 
No mesmo momento a Alie largou a papelada que trazia em braços e tomou-me carinhosamente em seus braços. Imediatamente senti-me mais segura e confiante, “Sentes a falta dele, não é?” Perguntou-me num sopro ao meu ouvido, sem sair daquele abraço.
 
Não sei como, mas ela sabia sempre… De alguma forma, ela arranjava maneira de perceber quando eu estava pior, quando eu sentia mais a falta dele. Nem tive coragem de responder por palavras, limitei-me a acenar positivamente com a cabeça, ao mesmo tempo que soltava um involuntário grunhido triste. Mais depressa do que eu gostaria, as lágrimas inundaram os meus olhos e acabaram por começar a cair.
 
Havia dias em que eu conseguia controlar melhor estas emoções do que noutros… E depois havia dias como este, em que eu não conseguia pensar em mais nada a não ser no amor que eu tinha perdido, a chance de ser feliz que eu tinha desperdiçado, e a luta que eu não tinha combatido… Nesses dias o nome dele ecoava a cada segundo dentro da minha cabeça.
 
Tom…
 
De cada vez que me lembrava dele sentia uma dor estranha no peito, um aperto agudo. Ás vezes essa dor cortava a minha respiração, outras ela limitava-se a matar-me lentamente.
 
Guardava como o meu mais preciso tesouro as memorias daquela noite e manhã sagradas… E é nessas memórias, é a relembrar esse sentimento que sempre me uniu ao Tom, que eu encontro coragem de seguir em frente… Sempre na eterna esperança que um dia as coisas possam vir a mudar.
 
Fui acordada do meu lamento pela doce e preocupada voz da Alie, “Há quanto tempo não falas com ele?”
 
Não precisei de pensar muito para responder, “Há vinte e três dias.” Eu poderia ter-lhe dito o número exacto de horas, porque no meu sofrimento eu tinha-as contado.
 
“Ele nunca ficou tanto tempo sem ligar…” Constatou a Alie, ao que eu confirmei com um aceno de cabeça. Mais lágrimas rolaram sem que eu quisesse à medida que o meu corpo começava a tremer e eu a soluçar. O que mais me doía, era saber que ele estava de férias, a banda estava de férias, e o Tom continuava sem me ligar.
 
“Oh minha linda…” Soltou a Alie num suspiro perturbado, acariciando-me os meus cabelos numa tentativa vã de me consolar.
 
“Porquê!?” Quase gritei num acesso de raiva, sentindo as minhas feições distorcerem-se de dor e ódio, “Porque é que tinha de ser assim? Porque é que para alcançar os meus sonhos, tive de me afastar dele? O único que eu alguma vez amei?”
 
“Oh meu amor…” Suspirou novamente a Alie, e eu sentir a dor na sua voz. Eu sabia que também ela fazia essa pergunta a si mesma sem encontrar uma resposta. “Essa é uma pergunta ingrata, Emi, à qual ninguém te pode responder… O importante é que estás aqui, conseguiste. Conseguiste alcançar os teus sonhos! A partir daqui tudo vai melhorar…”
 
Oh, como eu gostava de acreditar nas suas palavras. Eu sabia que ela me as estava a dizer com a maior das sinceridades, e que tinha fé no que dizia. Mas a verdade é que eu já tinha sofrido demasiado com este amor para acreditar que as coisas um dia melhorassem.
 
“Olha linda…” Chamou-me ela, olhando fundo nos meus olhos, “Quando eu chegar vamos à praia de Santa Mónica, e tu vais ver que te sentes logo muito melhor! Pode ser?”
 
Esbocei um sorriso fraco, sentindo uma pequena luz acender dentro de mim. Acabei por concordar com os seus planos para me animar com um simples olhar. No momento seguinte separámo-nos daquele abraço que era tão importante para nós, a Alie tornou a pegar nas suas folhas, agarrando desta vez também a sua mala, e saiu. Ainda a ouvi gritar por cima do ombro, antes de fechar a porta, “Boa sorte com a reunião!”
 
“E bom dia de trabalho para ti!” Gritei-lhe de volta mesmo antes da porta bater. Agora estava sozinha em casa… Sozinha com os meus fantasmas: a saudade, a memória e a tristeza.
 
Foi com um aperto na garganta que me encaminhei para a cozinha, onde me limitei a encher uma pequena caneca com leite fresco. Não o ia beber ali, não me apetecia sequer sentar-me à varanda sozinha, por isso encaminhei-me para a sala. Já sabia o que ia fazer, ia tentar matar um pouco de saudades.
 
Antes de me sentar num dos sofás, passei pela aparelhagem e pus a tocar um CD já velho, sem qualquer identificação. Apesar de só ter uma música gravada nele, era o meu CD preferido. Tinha sido uma prenda de quatro rapazes, quatro grandes amigos… de três que considero irmãos e outro que é o amor da minha vida.
 
Os primeiros acordes daquela música, a música que tinham escrito e composto para mim há tanto tempo atrás, a An Deiner Seite, começou a encher a atmosfera à minha volta, e no mesmo momento eu senti-me estranhamente reconfortada… como me senti da primeira vez que a ouvi.
 
Dei os primeiros goles na minha caneca, e senti aquele frio do leite arrepiar-me. Só de ouvir a voz do Bill já tinha um sorriso rasgado na cara, apesar desse ser um sorriso triste. Estiquei o meu braço para alcançar um livro velho que estava em cima da pequena mesa à minha frente. Tinha sido uma das poucas coisas que eu tinha levado da Alemanha para Portugal, e continha a minha jóia mais valiosa… Fotografias. Fotografias minhas com aqueles quatro rapazes que eram tão importantes para mim. Capturas de felicidade, momentos de alegria que ficaram para sempre congelados no tempo, para que eu pudesse matar a minha saudade ao revê-los.
 
As lágrimas escorriam-me pela cara enquanto eu desfolhava aquelas fotografias que me eram tão valiosas. Eram estes pedaços de papel que me davam força para seguir em frente. Eram eles, aqueles a quem estas imagens pertenciam, que me faziam sorrir, como agora, por mais lágrimas que estivessem a rolar pelo meu rosto.
 
Encontrei aquela fotografia, a que a Alie tinha usado, sem me revelar, no cartaz que levamos para o Pavilhão Atlântico no dia do primeiro concerto… a minha fotografia preferida. Estávamos lá os cinco. O Tom e o Georg estavam a tentar pegar-me ao colo, enquanto o Bill me fazia cócegas e o Gustav se esforçava por aparecer na fotografia também. Os cinco ríamos que nem loucos, espelhando a felicidade daqueles dias.
 
Com os meus olhos postos nesta imagem, e com esta música a soar nos meus ouvidos, quase que parecia que eles estavam ali comigo… quase que conseguia sentir a sua presença… quase que sinto o Tom a meu lado. Quanto tempo levaria até estar com eles novamente?
 
Ainda nem tinha acabado de colocar esta questão a mim própria, quando vejo a porta de casa abrir violentamente, cedendo passagem a uma Alie absolutamente tresloucada. Soavam à nossa volta os últimos acordes da música, reinando depois o silêncio, no momento em que eu em levantei às pressas do sofá para a amparar. Ela parecia que ia desfalecer… estava tão pálida!
 
“Alie!? Princesa, o que se passa?” Perguntei-lhe preocupadíssima sentindo um medo assustador tomar conta de mim… O que é que tinha acontecido??
 
Demorou um pouco até ela conseguir controlar a respiração para poder falar, e só depois um sorriso louco brotou no seu rosto. “Não se passou absolutamente nada, Emizinha!!”
 
Hein? Calma lá, não estou a perceber nada. Fiquei a vê-la poisar os seus manuscritos em cima da mesa da sala e a descalçar-se, sem me dizer nem mais uma palavra. Querem ver que a coitada enlouqueceu? “Alie… tu estás bem?”
 
Ela parou a olhar para mim, parecia estar em pânico, mas eu consegui perceber que me estava a esconder algo. “O quê? Eu estou óptima! Olha para mim!” E depois começou a dar voltinhas parvas à minha frente e a rir-se nervosamente.
 
Okay, é oficial, a menina Alana Laurie está a esconder-me alguma coisa. Cruzei os braços, encostando-me à parede com um ar inquisidor. “Vais explicar-me o que se passa ou vou ter de descobrir por mim?” Ela nem de dignou a olhar-me, ou a parar para me responder, já estava a correr na direcção da janela da sala. “Não tinhas de estar nos estúdios?”
 
Ouvi-a responder muito depressa, sem que se virasse para mim, “Dia de folga!... Ah e tu também, a tua reunião foi adiada!” Por mais estranho que possa parecer, ela estava a fazer gestos no ar, sinais talvez, para alguém que estava lá em baixo na rua. Não estávamos muito alto, morávamos no primeiro andar, se ela queria falar com alguém que estava a passar na rua bastava-lhe gritar que a pessoa ouviria…
 
Farta de tanto mistério, e sem compreender por que saberia ela do adiamento da minha reunião e eu não, corri para a janela, “Que raios estás a fazer, sua doida?”
 
A meio caminho, comecei a ouvir novamente os acordes da An Deiner Seite. Estaquei abruptamente, sentindo o meu coração parar também. O rádio não estava programado para repetir nem músicas, nem CD’s, e o som nem vinha daquelas colunas… Não, o som não vinha sequer de dentro de casa, vinha da rua! E não era um som aperfeiçoado de uma gravação, não… Era um som puro, saído de amplificadores.
 
Mas não… Isso não podia ser. Só se... Olhei a Alie, na esperança que ela me elucidasse. E ela, que tinha estado aquele tempo todo a olhar para a rua, virou-se para mim, olhando fundo nos meus olhos… com um sorriso magnífico nos lábios, e lágrimas caindo pelo seu rosto. Ela estendeu os seus braços para mim, para que eu me juntasse a ela à janela, e foi isso mesmo que eu fiz, apesar de eu estar com o coração nas mãos e com sérias dificuldades a manter-me de pé.
 
“Oh não, eu não acredito!...” Soltei num suspiro louco, tapando a minha boca com ambas as minhas mãos. Não… aquilo não podia ser real! Ser abraçada pela Alie ajudou-me a manter-me lúcida, e a não desmaiar, coisa que eu estava prestes a fazer quando vi…
 
Uma das faixas da Lexington Avenue tinha sido cortada ao trânsito, e porquê? Porque na estrada, mesmo em frente à janela da nossa sala, tinha sido montado um pequeno estrado, onde neste momento, uma banda tocava somente para nós. Aquela banda…
 
Eles lá em baixo, sorriram ao verem-me, e o olhar do Tom hipnotizou o meu como sempre havia feito… Eu fiquei imóvel, ainda sem conseguir perceber que isto era um sonho ou não. Foi com o coração a rebentar dentro do meu peito que vi o Gustav dar o sinal, segundos depois o Bill começou a cantar…
 
“No one knows how you feel,
No one there you'd like to see.
The day was dark and full of pain.
You write help with your own blood,
'Cause hope is all you've got.
You open up you eyes,
But nothings changed.”
 
Eu podia estar a ouvir esta música pela segunda vez neste dia, mas de alguma forma parecia ser a primeira. Lá em baixo tinha o Bill a cantar a música para mim, a musica que ele tinha composto a pensar em mim, e depois tinha o Tom, o Georg e o Gustav a tocá-la para mim, a tocar a melodia que tinham composto para se adaptar à letra.
 
Sem sequer dar conta, tinha o meu rosto coberto de lágrimas, não de tristeza, mas de felicidade extrema. Eles estavam a dar-me o presente mais maravilhoso que eu podia pedir… Mas acima de tudo eles estavam aqui… Aqui, tão perto de mim… o Tom estava aqui.
 
“I don't want to cause you trouble,
Don't wanna stay too long.
I just came here to say to you:
 
Turn around, I am here!
If you want it's me you'll see.
Doesn't count, far or near!
I can hold you when you reach for me.”
 
Algo me fez desviar os olhos do Tom. Só percebi o que era quando olhei em volta. À volta do estrado estava uma corrente enorme de seguranças, que estavam ocupadíssimos a proteger a banda do público que se começava a acumular. Algumas raparigas histéricas começaram a berrar, havia gente a tirar fotografias… mas eu nem sequer me importava. Consegui descobrir o Andreas bem perto do Tom, o que estaria ele a fazer ali? 
 
“Your life is meaningless,
Your diary full of trash.
It's so hard to get along with empty hands.
You're looking for the rainbow,
But it died not long ago,
It tried to shine just for you,
Until the end.”
 
Relembrei-me de tudo, e como não? Lembrei-me dos nossos primeiros dias juntos na Alemanha, quando nos conhecemos. Lembrei-me dos sarilhos em que nos metíamos, e de onde saíamos sempre a rir. Lembrei-me da noite em que o Tom entrou pela janela do meu quarto, a noite em que começámos a namorar. Lembrei-me de tocarmos juntos na garagem do Gustav, de fugirmos da minha madrasta, de fazermos corridas com as motas… Lembrei-me de tudo… tudo o que era bom e o que era mau.
 
Lembrei-me do último dia, o dia da discussão, o dia da separação… o dia fatídico em que eu decidi dar um fim à minha vida miserável. Lembrei-me de tentar-me atirar e não conseguir, lembrei de chorar, de berrar, do meu pai a partir-me a guitarra e da minha madrasta a recriminar-me sem piedade. Lembrei-me de quando decidi deixar tudo para trás e fugir para Portugal…
 
“I don't want to cause you trouble,
Don't wanna stay too long.
I just came here to say to you,
I am by your side,
Just for a little while.”
 
Notei que o Tom, apesar de não ter um microfone à sua frente, cantava a letra em plenos pulmões, acompanhando o Bill. De certa forma, tinha a certeza que ele sabia do que eu me estava a recordar, e senti que ele berrava a letra, ainda que desafinado, de forma a fazer-me compreender que agora ele estava ali… tudo iria correr bem.
 
“Turn around, I am here,
If you want it's me you'll see.
Doesn't count, far or near,
I can hold you when you reach for me.
 
If the world makes you confused,
And your senses you seem to lose.
If the storm doesn't want to diffuse,
And you just don't know what to do.
Look around, I am here,
Doesn't count far or near.”
 
Estas palavras pareciam ganhar um novo sentido agora. Antes tocavam-me e faziam-me lembrar só aqueles primeiros tempos da separação… Mas agora eu via que estes versos também se aplicavam ao que nos aconteceu depois do nosso reencontro em Lisboa.
 
Aquela tempestade de medo e insegurança que se abateu sobre nós, durante os últimos três anos pareceu não querer se dissipar… E eu não sabia mesmo o que fazer. Mas agora eu tinha a certeza que essa tempestade tinha chegado ao fim.
 
“I am by your side,
Just for a little while…”
 
Para meu completo espanto, vejo o Tom largar a guitarra, deixando-a cair desamparada no chão. Mas o que me deixou ainda mais espantada foi vê-lo a correr na direcção de uma das caleiras do prédio e começar a trepar a parede segurando-se com toda a força. Quis gritar para que não o fizesse, quis berrar-lhe que ele era louco, mas fiquei petrificada, com o coração a bater a um ritmo alucinante… lembrando todas aquelas noites em que ele subiu à janela do meu quarto pela armação da trepadeira.
 
No mesmo momento o Andreas apanhou a guitarra do Tom, e começou a tocar o resto da música, ainda que de forma atrapalhada.
 
“Turn around!
Turn around, I am here.
Turn around!
Doesn't count, far or near.
Turn around!
If you want it's me you'll see.
Turn around!”
 
Finalmente o Tom chegou à janela da minha sala, e eu dei-lhe as mãos para o ajudar a entrar. Bolas, ele continuava mais pesado do que eu conseguia suportar… Olhei em volta, procurando a Alie para que ela me ajudasse, mas ela já tinha desaparecido… Com uma breve vista de olhos, vi-a lá em baixo, ao lado do Gustav. Não pude evitar um sorriso.
 
“I can hold you when you reach for me!
Turn around, I am here,
Doesn't count, far or near!”
 
O Tom pôs finalmente os pés no interior da sala, estava bem à minha frente, com aquele sorriso que eu amava tanto. Nós continuávamos à janela por isso toda a gente nos estava a ver e a bater palmas.
 
Eu não conseguia parar de rir, nem parar o meu corpo de tremer, e os meus olhos continuavam a assemelhar-se a duas cascatas de água por eu não conseguir parar de chorar. E além disso, também estava a ter dificuldades em acreditar que o que eu estava a viver era real.
 
Lentamente e como se fosse um sonho, o Tom aproximou-se de mim, e quando nos aproximámos demasiado uma força sobrenatural obrigou-nos a abraçarmo-nos.
 
Finalmente voltei a sentir aquele calor, aquele cheiro, aquele carinho… Finalmente pude olhar fundo naqueles olhos castanhos, e sentir aqueles lábios tão perto dos meus…
 
Foi então que o Tom cantou para mim, num murmúrio desafinado as ultimas frases da música, tocando o meu coração… e fazendo a mais pura das felicidades brotar em mim.
 
“I am by your side,
Just for a little while.
We'll make it if we try…”
 
Não pudemos esperar nem mais um segundo que fosse tivemos de nos beijar, ao som dos últimos acordes improvisados pelo Andreas. Os nossos lábios tocaram-se e foi como se tudo à nossa volta tivesse desaparecido. As nossas línguas dançaram uma dança nossa conhecida, que agora era quase desesperada, de tão carregada de saudade que estava.
 
Separámos depois devagar, continuando a sorrir, e eu até achei que fosse explodir de tão feliz que estava… Mas havia uma pergunta a ser feita:
 
“Tom… O que é que isto quer dizer?” Perguntei a medo, recusando-me a sair dos seus braços, sem saber como é que podíamos ter passado tanto tempo separados depois daquela noite em Lisboa. “Eu não percebo, porque é que fizeram isto?”
 
Ele sorriu ainda mais para mim, aquele sorriso que me fazia sentir segura, e que me fazia sentir amada, só depois respondeu, “Porque eu estou farto de viver a minha vida longe de ti… e eles também… Por isso mudámo-nos para aqui… comprámos uma casa em Beverly Hills.”
 
Não, espera, acordem-me já! Isto não pode estar a acontecer! Sem que pudesse impedir, comecei a chorar outra vez, “Oh Tom…”
 
“Shiu tontinha…” Pediu-me ele carinhosamente, com um sorriso ainda maior. Com um gesto gentil e cheio de ternura apanhou as minhas lágrimas com os seus dedos, “Já não precisas de chorar mais. Eu agora estou aqui, ao teu lado, nunca mais te deixarei sozinha.”
 
Apesar de me ter pedido para não chorar, eu pude ver que os seus olhos também estavam espelhados de água. Não demorou muito para que as lágrimas lhe começassem a cair.
 
Os nossos lábios voltaram a juntar-se, desta vez com mais suavidade, carinho e amor… matando aquelas maldosas saudades que nos tinham atormentado durante todos estes anos. Era um beijo bastante semelhante ao primeiro que tínhamos trocado naquela noite, em Lisboa… Só que hoje eu sabia que não ia ser a ultima vez.
 
Agora sim, começava a minha nova vida.
 
 
FIM

 

* * *

Oh, já não posso dizer continua ='(

 

Eu gostei mesmo muito de escrever este ultimo capitulo apesar de me ter emocionado constantemente... e por isso peço assim resmas, paletes de comentários para me alegrarem xD Espero que leitores que nunca comentaram comentem hoje, porque afinal é o ultimo!

 

Darei noticias sobre a nova fic, Forever Sacred brevemente... A unica coisa que vou adiantar é que será mais pequena que esta, terá provavelmente metade do tamanho x)

 

Loads of Kisses to All of You!

 

sinto-me: Emocionada =') É O ULTIMO!!
música: Tokio Hotel - By your side
publicado por Dreamer às 20:44
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54 comentários:
De Bitter - Sweeter a 1 de Agosto de 2008 às 20:57
Oh Meu Deus!
Eu queria fazer uma coisinha bonitinha mas a unica coisa que consigo dizer é "Oh Meu Deus"!

Eu nao acredito que estou a chorar como uma Maria Madalena e acabou tudo em bem
De Bitter - Sweeter a 1 de Agosto de 2008 às 20:58
The first one!
Eu tiha de dizer isto :D
De Bitter - Sweeter a 1 de Agosto de 2008 às 20:58
Está tao Lindaaaaaaaa <3
De Bitter - Sweeter a 1 de Agosto de 2008 às 20:59
Nao consigo fazer comentarios de geito.
Amanha volto e compenso-te.
De spark a 1 de Agosto de 2008 às 20:59
É perfeita...

Eu nem me dei ao trabalho de ler este post.. espero que esteja tudo igual xD



O resto tu já sabes xD


Agora aquero é ver como é a proxima ^^


Kiss ,^^
De PatríciaDaniela a 1 de Agosto de 2008 às 20:59
Lindo

*.*

Céus....

beijinhoO*
De Bitter - Sweeter a 1 de Agosto de 2008 às 21:00
Já agora importasse de tirar dali a palavra "Fim" e dar-me os meus devidos afilhados?
:D
De scorpion flower ♥ a 1 de Agosto de 2008 às 21:03
vou ter saudades desta fic +.+
linda linda linda
[ia dizer kero mais mas nao há mais :'( ]
saudades já
parabens excelente fic *.*
De Sássára a 1 de Agosto de 2008 às 21:17
OMG, eu ameii *.*
Amei mesmo :D
Depois da tempestade vem a bonança :D
Estás de parabens *______*
E estou ansiosa para ler a proxima!

Beijinho @
De Twinas^^ a 1 de Agosto de 2008 às 21:26
Rita, tu não imaginas *.*
Estou a chorar tanto, mas tanto!
É como eu te disse, és das minhas escritoras preferidas. Que não venham cá J.K. Romwling's, é nas pequenas e mais normais pessoas que se vÊ um grande talento, e é isos que tu tens.

Tenho pena que este fosse o último, nunca nenhuma fic, apesar da tua não ser uma mera fic, mas sim uma obra de arte digna de ser apreciada como as garndes obras de arte, me prendeu tanto.
A música é um elemtneo crucial em cada história, e esta música, especialmente enquanto lia a letra escrita, ajudou tanto, trouxe a emoção que a Emi estava a sentir naquele momento a mim.

E ontem aidna achavas que ias desiludir os leitores, não me desiludis-te, escolheste o final mais perfeito de todos, pelo menos para mim, mas acho que ninguém ia querer que a Emi e o Tom acabassem separados.

E não sejas tão insegura, se tu gostares do que estás a escrever, mostra ao mundo, não tenhas medo, quem não gostar não lê.
Acima de tudo, nunca pares de escrever :D
De Funny Girl x a 1 de Agosto de 2008 às 21:41
Ai fiquei tão feliz,

Eles ficaram juntos,

Ai nem tenho palavras,

Amei o final, amei ler a fic,

Olha amei tudo.

E este final foi em grande,

Tens imenso jeito para escrever!!

Parabéns pela fic magnifica.

Agora até à próxima =D

Posta mais sinhe??

Beijinhos*

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Dreamer @ 02-04-2008

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