Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

"Forever Sacred" - Chap 15

Olá meus amores :D

 

Cá estou eu, com o corpo completamente amaçado depois do concerto de Kaiser Chiefs. Talvez amanhã faça um post dedicado ao concerto, hoje estava demasiado cançada xD Posso adiantar que eu e Rick acabámos por encontrar dois amigos nossos, o Johnny e o Menphis, não faziamos ideia que eles iam ao concerto --' Acabámos por nos divertir os quatro à brava... mas eu depois relacto isso melhor ^^

 

Entretanto, como prometido, terminei o Capitulo Quinze... e cheguei à conslusão que ele está demasiado grande e que dava para dividir em dois. Mas como não postei durante o fim de semana, compenso-vos hoje com este capítulo de tamanho duplo ^^

 

Espero que não me matem pelo tamanho do capitulo,

ENJOY! x'D

 

* * *

Chapter Fifteen
 
 
Ainda estava a tentar recompor-me, depois de Lilïa me ter deixado sozinho. Eu tinha-me sentado ao balcão, próximo da mãe de Lilïa, enquanto ela estava atarefada a descascar frutas e fazer batidos. Eu esforçava-me para calar a timidez e arriscar uma conversa com Maïle, mas ela parecia-me demasiado ocupada. Durante a minha indecisão, recebi um encontrão de um rapaz moreno que não devia ter mais do que quinze anos. “Mãe, os italianos da mesa seis querem um Irish Coffee.”
 
Sem parar de descascar o ananás do qual se estava agora a ocupar, Maïle lançou um olhar divertido ao filho e respondeu-lhe, “Vai dizer-lhes que aqui só temos bebidas, batidos ou licores de frutas E se eles queriam um Irish Coffee, que fossem ao Starbucks!”
 
O rapaz parecia incrédulo, e também não era para menos. Eu próprio não percebi se ela estava a falar a sério ou a brincar.
 
“Mãae…?!” Implorou o rapaz, sem saber o que fazer. Pelo que me pareceu, não era a primeira vez que tinham aquela conversa.
 
“Vai lá dizer-lhes…” Riu-se Maïle, descascando agora uma manga bastante madura. O rapaz ainda não se tinha afastado quando a mãe começou a desabafar comigo, “Estes turistas têm uma lata!… Vêem a um restaurante havaiano pedir um café irlandês! Já viste isto, Bill?”
 
Eu senti-me subitamente envergonhado e sem saber o que responder. Quando é que este ataque de timidez ia passar? Só fui capaz de murmurar através de risos nervosos, “Pois… Realmente. Que lata…”
 
O rapaz que já estava a caminho da mesa dos italianos, parou abruptamente e olhou para mim, com os seus olhos cor de jade arregalados. A incredibilidade e o espanto estavam gravados no seu rosto.
 
“Ei, espera lá!…” Indagou ele, aproximando-se de mim cautelosamente, “Tu és o Bill Kaulitz!”
 
Pelos vistos havia um membro na família que sabia quem eu era realmente. Fui tão apanhado de surpresa que a única coisa que consegui gaguejar foi, “Pois sou. Erm… Olá!”
 
O rapaz começou aos saltos à minha frente, estava de facto felicíssimo por me ver. Quando começou a falar, fê-lo tão depressa que eu tive dificuldade em acompanhar o seu inglês, “Eu chamo-me Makoa! Sou um fã numero um teu, do Tom, do Georg, do Gustav! Pá, eu adoro os Tokio Hotel! Nem acredito que te estou a conhecer! Li num blog que vocês tinham tirado férias, mas não sabia que tu tinhas vindo para o Havai! O Tom também veio contigo? Sei que o Georg foi visto em Las Vegas… Mas e o Gustav?”
 
Makoa continuou a disparar questões atrás de questões, sem nunca parar para me deixar responder. Achei que o melhor era interrompê-lo e fazer-lhe a pergunta mais simples de todas para ele abrandar o interrogatório, “Tu és o irmão mais novo da Lilïa, não és?”
 
“Sou pois!” O rapaz riu-se num salto, ainda mais feliz. Ele transpirava entusiasmo, “Tu conheces a ‘Lïa?!”
 
“Conheço sim. Foi ela que…” Tentei responder sucintamente, mas atrapalhei-me com as palavras.
 
“Filho, o Bill é o rapaz que a tua irmã convidou hoje para ver o espectáculo…” Fora Maïle a falar. Sem que eu me apercebesse ela tinha terminado as suas tarefas e estava agora do lado de fora do balcão, junto de nós.
 
“Espectáculo?!”Gaguejei em voz baixa, nenhum dos dois pareceu ter-me ouvido. Ia haver um espectáculo? De quê!?
 
“Então tu és o rapaz alemão que ela conheceu!” Concluiu Makoa alegremente. Pelos vistos toda a gente sabia que eu viria esta noite...Eu devia ter percebido logo que eras tu...”
 
“Pois…” Ri-me com ele, encolhendo os ombros e sem saber ao certo o que fazer.
 
Com um aceno de mão, Makoa afastou-se, dirigindo-se finalmente à tal mesa seis, onde quatro italianos pareciam cada vez mais impacientes. Aproveitei o facto de estar sozinho com Maïle para lhe perguntar:
 
“Maïle, desculpe… Há pouco disse ao Makoa que eu era o rapaz a quem a Lilïa queria mostrar o espectáculo… A surpresa que Lilïa tem para mim é um espectáculo?”
 
 “Eu e a minha grande língua!…” A senhora riu-se e ponderou antes de me responder, Não é bem um espectáculo, sabes?”
 
Como eu continuei a olhá-la, ansiando uma resposta mais concreta, ela acrescentou, “Aqui no restaurante, todas as Sextas e Sábados, fazemos umas apresentações para os turistas de… Ora, porque não vês com os teus próprios olhos?”
Ainda Maïle não tinha acabado de falar, quando me apercebi que a melodia de guitarras acústicas que preenchia o ar desde que eu havia ali chegado acabara por esmorecer, dando lugar a um silêncio misterioso. Toda a gente naquele restaurante pareceu notar a ausência da melodia, pelo que se tornaram eles mesmos silenciosos… expectantes.
 
Eu sabia que algo estava prestes a acontecer, mas nada me podia ter prevenido para o que de facto aconteceu a seguir.
 
Outra melodia encheu o ar, mas não era tocada, apenas cantada. Uma voz feminina vibrante cantava no que deduzi ser a língua indígena havaiana. Nada mais se ouviu no espaço em redor para além da sua voz, doce, melodiosa e hipnotizante. Um arrepio de prazer percorreu a minha coluna ao ouvi-la, a sua afinação era tão perfeita verso após verso que era quase inumana.
 
Eu não conseguia vê-la ainda, a figura feminina havia entrado no espaço por uma das portas laterais, uns pilares bloqueavam a minha visão… Segundos antes de poder ver o seu rosto, eu reconheci o timbre da sua voz. Só podia ser uma pessoa… Mas como era possível?
 
Usando um vestido comprido cor de sangue, de saia rodada, e ostentando um colar de folhas verdes, uma coroa de flores laranja, e colar e pulseiras de pequenas pedras negras vulcânicas, estava Lilïa… Cantando e encantando, enquanto caminhava lentamente, de pés descalços e com os braços dançando ao ritmo da melodia que ela própria fazia ecoar em redor.
 
Eu só podia estar a vivenciar um sonho. A única coisa que me mantinha lúcido eram os constantes arrepios nas minhas costas, já que a voz e o canto de Lilïa tendiam a levar-me para longe dali.
 
Percebi finalmente para onde ela se dirigia quando finalmente os seus pés pisaram a esplanada vazia no terraço. Aí, ao seu doce canto chegou ao final. Era virou-se para a plateia que assistia hipnotizada, juntou as mãos à frente dos braços e fez um chamamento na mesma língua em que havia estado a cantar.
 
Só então reparei que à sua espera estavam dois homens ajoelhados no chão, com um instrumento de madeira estranho nas suas mãos. Esses dois homens, Noa e um rapaz que deveria ter quase vinte e cinco anos, começaram a tocar, criando um ritmo bem mais veloz, que era a continuação da melodia entoada por Lilïa. E então eles mesmo começaram a cantar… e Lilïa começou a dançar.
 
Os seus pés mexiam-se ao ritmo acelerado que seu pai, e deduzi que o outro fosse também irmão, iam marcando. Os seus braços iam dançando ágil mas suavemente em volta do seu tronco, enquanto ela se ia deslocando, desenhando perfeitos círculos no terraço e balouçando gentilmente sempre… sempre com mais maravilhoso dos sorrisos nos seus lábios.
 
Durante vários minutos fiquei demasiado hipnotizado para conseguir sequer pensar, o meu coração explodia no meu peito. Mas lentamente a consciência voltava a mim, e eu conseguia racionalizar o que estava a acontecer à minha frente.
 
Não era uma dança Hula que eu estivesse habituado a ver nas televisões ou em filmes, não era uma coisa banal, nem tinha aquele teor de sedução que muitas vezes lhe associamos… era um ritual sagrado, carregado de elevado simbolismo e dotado de uma beleza única.
 
“Dança tradicional…” Consegui murmurar. Achei que o tinha feito só para mim, mas Maïle ouviu-me.
 
“Exactamente, Bill.” Elucidou-me ela depois, “São cânticos e danças feitos em tributo a deuses, à natureza, a feitos históricos, a lendas, a sentimentos… São kahikos.”
 
Agora percebi o que Lilïa queria dizer quando disse que a mãe dela estaria ali para me explicar o que estava a acontecer. Decidi arriscar perguntando mais…
 
“E que kahiko é este?” Eu estava abismado com aquela visão, queria saber tudo o que Maïle me pudesse ensinar sobre a cultura havaiana.
 
“Este kahiko é um tributo ao Amor…” Explicou-me ela, e eu pude detectar orgulho nas suas palavras, e ainda mais nos seus olhos, enquanto admirava a filha. Como eu a compreendia.
 
Os meus olhos estavam perdidos nela, na sua dança, no seu sorriso… às vezes parecia que os meus olhos encontravam os dela, mas Lilïa nunca saía do ritmo. Também o meu coração descontrolado parecia agora bater ao mesmo ritmo que o seu pai e irmão tocavam.
 
A curiosidade cresceu novamente, e eu tive de perguntar, “Que instrumentos são aqueles? Nunca vi nada parecido…”
 
Desta vez não foi Maïle quem me respondeu, mas sim Makoa que já se tinha juntado a nós, “São Ipu hekes. Instrumentos de precursão locais.”
 
Não fiz mais perguntas, embora as tivesse. Queria aproveitar o momento, já que estava ciente de que a música devia chegar ao final. E assim foi. Achei, estupidamente, que aquela seria única música que cantariam. Bati palmas entusiasticamente, como aliás qualquer pessoa no restaurante… Mas Lilïa não teve tempo para fazer uma vénia em agradecimento, porque o ritmo dos Ipu hekes já tinha recomeçado.
 
Mas desta vez Lilïa já não estava sozinha no terraço. De ambos os lados tinham surgido várias dançarinas, não deviam ser mais do que dez. Todas elas traziam as mesmas vestes e adereços de Lilïa e todas se moviam ao mesmo tempo, desenhando os mesmos gestos com os seus braços e movendo os seus corpos ao mesmo ritmo.
 
Primeiro cantaram os dois homens, fazendo estremecer a plateia com as suas notas graves, depois foi a vez das mulheres de nos deliciarem com suas vozes melodiosas. Por mais improvável que possa parecer, eu conseguia distinguir o timbre de Lilïa acima de todos os outros.
 
“Agora está a ser feito um tributo a Pele,” Informou-me Maïle, acordando-me do meu transe, “Pele é a deusa do vulcão Kilauea da Grande Ilha. Neste kahiko pede-se que a deusa acalme o vulcão, para que as populações da ilha sejam poupadas aquando das erupções…”
                                                                         
“E resulta?” Perguntei eu, sorrindo sem me aperceber, e com os meus olhos presos em Lilïa.
 
“As erupções do vulcão Kilauea nunca foram violentas, Bill.” Maïle respondeu-me no mesmo tom materno orgulhoso. “Não se dá nenhuma explosão como na grande maioria dos vulcões por todo o mundo. A lava limita-se a escorrer lentamente montanha abaixo, dando tempo às pessoas para fugirem. Os danos são sempre materiais, raramente se perdem vidas.”
 
Perante aquela dança, aquele cenário de beleza, até parecia plausível que a tal deusa Pele de facto existisse, e que aquele tributo fosse do seu agrado.
 
Deixei-me fascinar enquanto aquele grupo cantou e dançou vários kahikos durante o que me pareceu uma doce eternidade. Raras eram as vezes em que o meu olhar se afastava de Lilïa, e algumas delas eu quase que podia jurar eu o seu olhar encontrava o meu…
 
… Pode parecer louco, mas a partir de um certo momento, foi como se mais ninguém estivesse naquele espaço para além de nós. A melodia dos Ipu hekes estava dentro dos nossos corpos, era a batida dos nossos próprios corações. E a sua dança e o seu canto era o que nos mantinha aos dois suspensos naquele mundo, reservado só para nós.

 

* * *

Continua...

Queria agradecer a todos os comentários que recebi, acreditem que fizeram a diferença e me deram apoio para escrever este capitulo duplo, que foi bastante dificil de escrever :D Também reparei que continua a haver leitores que não comentam... Amores, eu já vos avisei que não mordo! xD

 

A vossa opinião é mesmo muito importante para mim, acreditem que sem vocês e o vosso apoio, escrever torna-se muito dificil... Por isso, COMENTEM! :D

 

Loads of Kisses to All of You!

NOTA: Queria deixar dois links de videos para vocês verem com os vossos olhos as danças que eu tentei descrever. Aqui a primeira, a individual da Lilïa [ é de um concurso que existe no Havai todos os anos, «Miss Aloha Hula»... é bastante engraçado de ver x) ] e Aqui a primeira que é dançada em grupo ^^ Aconcelho vivamente o segundo video, acho-o lindo x) Os instrumentos usados pelos senhores são os tais Ipu Hekes ^^

 

sinto-me: Ai, as minhas pernas! x'D
música: Oasis - Wonderwall
publicado por Dreamer às 20:10
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Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

"Forever Sacred" - Chap 14

Olá meus amores ^^

 

Hoje já me estou a sentir um pouco melhor... e por isso cá vai mais fic x) A grande novidade, e provavelmente uma das poucas coisas boas [ talvez a única ] que aconteceu esta semana, deu-se à coisa de três horas na sala de cinema 11 do Forum de Almada:

 

Rick - Sabes, os Kaiser Chiefs vêem a Lisboa no Domingo. ^^

Dreamer *Lamenta-se por não ter ninguém com quem ir* - Eu sei --'

Rick - Estava a pensar... Queres ir comigo?

Dreamer *Dá um pulo na cadeira do cinema e guincha* - I DO!! :D

 

E pronto, às 17h48 estavamos na fnac a comprar os bilhetes [ que foram caros à brava --' ] e já os tenho à minha frente! Pela primeira vez em muitos dias, Dreamer is Happy ^^

 

Mas chega de conversa,

Aqui vai a Fic!

ENJOY! ^^

 

* * *

Chapter Fourteen
[ BILL ]
 
 
“Oh, não… Eu não posso chegar atrasado! Não posso chegar atrasado!”Eu ia repetindo este mantra histericamente, como se ele me fosse ajudar a correr mais depressa pelo areal da praia de Maili.
 
Já tinha o meu par de ténis numa das mãos, enquanto levava as minhas meias na outra… Não havia mais nada que eu pudesse fazer para correr mais depressa do que já estava a correr. Ainda bem que já era noite cerrada e que não havia ninguém por perto para ver as minhas figuras. Só um ou dois holofotes iam iluminando o meu caminho.
 
“Quase… Estou quase, Lilïa!” Gritei enquanto corria sozinho. Que palerma, ela nem me podia ouvir!
 
Eu estava eléctrico. A conversa com o meu irmão tinha corrido bem, apesar de eu continuar desconfiado das suas mudanças de humor súbitas… Ele tinha-me dito para eu ir ter com a Lilïa, para eu ser feliz com ela, e era mesmo isso que eu tencionava fazer...
 
Os meus olhos já conseguiam alcançar o restaurante, construído em madeira negra sobre o areal, que também era a casa da Lilïa… Estava muito iluminado, com luzes de todas as cores, e tinha inclusivamente o exterior iluminado com tochas ardentes e enfeitado com faixas de flores coloridas… Percebi de imediato que se tratava de um restaurante típico, e muito tradicional, havaiano que devia ter bastante sucesso, já que era noite de Sexta-Feira e estava repleto de clientes.
 
Os clientes acediam ao restaurante por um nível mais elevado do que o areal, onde havia o acesso para os carros e o parque de estacionamento… Tive de ralhar comigo mesmo, “Sou mesmo um anormal! Podia ter vindo de táxi que já cá estava à séculos!”
 
Sentei-me nuns degraus de madeira que davam acesso ao restaurante para calçar as meias e os ténis, e para me compor, ainda amaldiçoando a minha estupidez. Eu estava mais de dez minutos atrasado…
 
“Estou a ver que as rockstars na Alemanha não gostam de ser pontuais…” Disse uma voz feminina, extremamente melodiosa atrás de mim. Eu sabia de quem era aquela voz…
 
“Lilïa!...” Exclamei ao levantar-me para a encarar, ao mesmo tempo senti as minhas bochechas aquecerem… Boa, eu estava a corar, e ela estava absolutamente belíssima…
 
O seu cabelo negro caía-lhe suavemente pelas costas, penteado para um dos lados, onde tinha uma flor branca linda sobre a orelha. No seu corpo dourado assentava um vestido cor de pérola que caía mesmo cima dos joelhos. A luz flamejante das tochas ia pintando tons mais amarelados no seu vestido e fazia os seus olhos cor de jade sobressair… Oh, eu nunca tinha visto nada tão belo.
 
Gaguejei um pouco, tentando desculpar-me, enquanto ela me olhava com um largo sorriso, mas fingia-se aborrecida, cruzando os braços e franzindo uma sobrancelha, “Desculpa, Lilïa, eu fui um parvo em vir a pé. Ainda vim a correr a maior parte do caminho, mas acabei por me atrasar!”
 
Ela soltou uma gargalhada sonora, “Tu vieste a pé!?”
 
“Vim…” Respondi-lhe ainda mais envergonhado, se é que isso era possível. “Estraguei os teus planos por me ter atrasado?”
 
“Não estragaste nada, Bill, seu tonto…” Desculpou-me ela, ainda sorrindo, enquanto encurtava a distância entre nós, “Eu só queria ter mais tempo para te mostrar o restaurante, antes da surpresa… Mas assim vai ter de ser uma apresentação relâmpago.”
 
“Hãm!?” Foi a única coisa que consegui indagar. Apresentação relâmpago antes de uma surpresa… Isso queria dizer o quê? A minha expressão deve ter reflectido bem o meu estado de confusão, porque a Lilïa se apressou a acrescentar.
 
“Não te preocupes, faz tudo parte do meu plano para esta noite!” Riu-se Lilïa novamente, pegando na minha mão com delicadeza e fazendo-me segui-la escadas acima, até ao interior do restaurante.
 
Eu não me apercebi muito bem do que se estava a passar à minha volta quando atravessamos a multidão de turistas e clientes e entrámos finalmente no restaurante da família da Lilïa. Eu estava mais concentrado na pequena mão delicada e quente que rodeava a minha cuidadosamente. Eu não conseguia ver nem ouvir mais nada, só conseguia sentir a mão dela na minha. Sei que o ar se enchia com uma melodia de guitarras acústicas, mas não eu conseguia compreendê-la, só a considerava bastante agradável.
 
Foi uma surpresa quando ouvi uma voz masculina, muito grave e rouca chamar-nos: “Lilïa! O que ainda andas aqui a fazer com esse rapaz? Não devias já estar a preparar-te?”
 
Ela, que estava a conduzir-nos na direcção de um terraço, parou abruptamente e mudou de direcção, para se dirigir ao balcão do restaurante. Atrás desse balcão estava um homem que devia ter quase cinquenta anos. A sua pele era dourada como a de Lïlia, e os seus olhos eram do mesmo tom de jade. Percebi, mesmo antes dela nos apresentar, que aquele só poderia ser o seu pai.
 
“Vem cá, Bill, vou te apresentar o meu pai.” No rosto do homem rasgou-se logo um grande sorriso, e ele estendeu-me a sua mão direita, “Pai, este é aquele meu amigo de quem te falei, Bill Kaulitz… E Bill, este é o meu pai, Noa Wai-ola.”
 
“Aloha! Sê bem-vindo, rapaz!” Proclamou ele sorrindo, enquanto me apertava a mão firmemente com os seus dedos calejados. “É um prazer conhecer-te.”
 
“O prazer é todo meu…” Gaguejei, tentando ser o mais simpático possível, mas a verdade era que estava a morrer de timidez.
 
A filha ainda abriu a boca para continuar a falar, mas logo fomos interrompidos por uma mulher que tinha os mesmos cabelos negros que Lilïa, ou melhor… Era uma cópia de Lilïa, com a diferença de ser vinte anos mais velha. “Filha, o que ainda estás aqui a fazer? Estão todos à tua espera…!”
 
“E esta é a minha mãe, Bill… Maïle Wai-ola.” Riu-se Lilïa, apontando para mim e depois para a sua mãe. Pelos vistos Maïle não tinha reparado em mim.
 
“Ah, desculpa querido, não te vi…” Disse-me ela, apertando a minha mão também, mas com muito mais delicadeza do que Noa, “Então és tu o rapaz a quem a ‘Lïa queria mostrar-”
 
“Shiu, mãe!” Pediu-lhe Lilïa com uma gargalhada, “Não estragues a surpresa agora!”
 
A mulher riu-se com ela, abraçando-a pelos ombros, suavemente, como só uma mãe orgulhosa sabe, “Não é claro que não, querida, desculpem-me.”
 
Eu dei por mim a sorrir com eles, “Então ainda não é agora que eu vou saber o que é essa tal surpresa?” Perguntei timidamente. Sentia-me um pouco a mais, eles eram uma família, bastante próxima e cúmplice por sinal, eu era só um intruso.
 
“A ‘Lïa é mesmo assim, Bill,” Respondeu-me Noa, enquanto retirava o seu avental, fincando só com uma camisa colorida e uns calções de banho, e passava de trás do balcão para a frente, para vir ter connosco, “Ela adora fazer surpresas!”
 
Enquanto dava uma cotovelada ao pai e lhe lançava olhares cúmplices, Lilïa proclamou, “Ainda bem que já todos sabem como eu sou… Agora, ainda pai, temos trabalho a fazer!”
 
 E dito isto, pegou no braço de Noa e começou a arrastá-lo na direcção de uma porta que dizia «autorized personal only».Antes de se afastar demasiado, ainda me disse, “Bill tu podes ficar com a minha mãe enquanto eu não venho… O meu irmão mais novo, Makoa, também deve andar por aí.”
 
“Está bem…”Respondi-lhe a medo. A cada passo que ela dava, mais nervoso eu ficava. Eu não queria estar sozinho com Maïle, tinha acabado de a conhecer! Ela era mãe de Lilïa… O que é que ela saberia sobre mim? Que tema de conversa era suposto nós termos?
 
 “Espera Lilïa!”Chamei-a, gritando e correndo atrás dela, de tão assustado que estava. Ainda bem que ela ainda não tinha atravessado a porta para a qual se dirigia.
 
Ela parou abruptamente, e cedeu passagem a Noa, para que ele entrasse, fez-lhe sinal, garantindo que não demoraria. Depois voltou-se para mim, e eu pude ver que ela trazia preocupação no seu olhar cor de jade.
 
 “Passa-se alguma coisa, Bill? Estás bem?”
 
Eu estava demasiado corado, ela deve ter reparado nisso. O facto de eu estar a gaguejar não ajudou muito, “Eu estou bem, não é… Erm… Pois. Eu sei que este restaurante é dos teus pais, e que vindo aqui, eu já devia estar à espera de os conhecer… mas nem sequer me lembrei que isso poderia acontecer! Eu estou…”
 
A voz falhou-me de vez, mas ela terminou a frase por mim, “Estás cheio de vergonha, estou a ver…” Depois soltou uma gargalhada melodiosa e acrescentou, “Nem acredito que estou na presença de uma rockstar envergonhada!”
 
“Pois, é mais ou menos isso…” Admiti, sendo incapaz de a olhar nos olhos durante muito tempo. Eu estava a ser ridículo! “Desculpa, Lilïa.”
 
O meu nervosismo desapareceu no momento em que ela colocou as suas mãos nos meus ombros, e me disse, ainda sorrindo, “Não tens com o que te preocupar, a minha mãe vai ficar contigo, para… explicar-te o que vai acontecendo. Podes ficar à vontade com ela, não tens de te envergonhar… Às vezes acho que ela é que tem vinte anos e eu os quarenta! Vais dar-te lindamente com ela. Além disso, assim que eu acabar venho logo ter contigo.”
 
Pois… Eu só retive metade do que a Lilïa me disse. Fiquei bloqueado na parte de «explicar o que vai acontecendo.»Tive de lhe perguntar, O quê?… A tua mãe vai explicar-me o que vai acontecer? Explicar o quê? O que é que vai acontecer?”
 
A mão direita Lilïa fez uma espécie de massagem no meu ombro, e depois ela começou a afastar-se, entrando pela porta que eu não queria que ela entrasse, “Já não deve demorar muito para começar, Bill, só falto mesmo eu! Verás com os teus próprios olhos em poucos minutos.”
 
“Espera!”Ainda lhe gritei novamente. Mas desta vez ela já não me respondeu. Eu limitei-me a ficar ali congelado, ainda hipnotizado pelo dançar do seu cabelo negro, antes de Lilïa desaparecer por completo atrás da porta.
 
* * *
Continua... 
Agora a fic segue um caminho diferente, vamos saber mais sobre a Lilïa, a sua vida e a sua familia... Espero que gostem, e não deixem de dar a vossa opinião! COMENTEM :D
 
Antes de me despedir, queria agradecer a todos os maravilhosos comentários que me deixaram, muito obrigada mesmo ^^ Eu sei que sou dona de uma insegurança patética, mas isto é genético --' 
 
Loads of Kisses to All of You!
 
 

 

sinto-me: Kaiser Chiefs! Weeeee ^^
música: Kaiser Chiefs - Oh My God
publicado por Dreamer às 18:47
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Dreamer @ 02-04-2008
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